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Arthur Vivaqua

  • 16/04/2014 às 11:15h

    Mesmo calada, Rachel Sheherazade ainda grita

    OPINIÃO
    Rachel Sheherazade: censurada, mas não derrubada

    Rachel Sheherazade: censurada, mas não derrubada

    Pode-se acusar o SBT de tudo, menos de falta de polidez. Ao censurar descaradamente a jornalista Rachel Sheherazade, proibindo-a de emitir suas opiniões pessoais no “SBT Brasil“, a emissora afirmou em nota oficial que a medida foi adotada para “preservar a âncora”.

    Que fofura! Pode existir ditadura mais zelosa do que esta?

    Afinal, do que Rachel está sendo “preservada”? Do debate enriquecedor gerado por suas opiniões livres? Do embate contra minorias raivosas detentoras do freio intelectual que paralisa a sociedade? Da luta por um Brasil mais justo e feliz?

    Rachel tem hoje a boca mais cara do mundo. Suas palavras valem R$ 150 milhões, valor da verba gasta pelo governo em propaganda somente no SBT e que poderia ser tirada caso a ‘perigosa’ Sheherazade continuasse a dizer o que pensa.

    Ao calar Rachel, a base governista aderiu à moda do momento e tirou um selfie. Olhe atentamente para a foto e você verá as rugas da intolerância, do autoritarismo, da manipulação, da corrupção, da inversão de valores e da aversão à democracia. Eis a face da Era Lulo-Petista-Radical-Esquerdista: se você pensa como eles, prepare-se para os lucros; se os incomoda, prepare-se para o poste.

    O mesmo poste onde, além de Rachel, foram amarradas a liberdade de imprensa, o diálogo entre a mídia e o público, a humanização da bancada e, de quebra, a pobre coitada da democracia, velha senhora que há anos não consegue um leito no SUS.

    A censura em si não é espantosa, afinal, as mãos que passaram o zíper pela boca de Rachel são as mesmas que têm assaltado nossos bolsos e envergonhado a alma dos cidadãos de bem. São mãos sujas de denúncias, rombos e CPI’s.

    É por isso que o sorriso da deputada Jandira Feghali, aquela “indignada” que entrou com uma representação junto ao Ministério Público pedindo a ‘extinção’ de Rachel na TV, é, usando palavras da própria Rachel, “até compreensível” (Xi! Falei ‘compreensível’. Já posso ser acusado de apoiar e incitar a ação de hipócritas!).

    Digo isso porque Feghali faz parte de um partido carente de votos e repleto de denúncias. Precisa mesmo de algumas manchetes positivas. Deprimente mesmo é ver o sorriso de jornalistas radiantes com o veto à colega. Jornalistas que deveriam zelar pela liberdade, matéria-prima de sua profissão.

    É como ver ratos cinzas exaltando as qualidades do gato porque ele prometeu que comerá apenas ratos brancos. Um dia, o gato mudará o cardápio, mas aí já será tarde demais. Quem hoje ri de Rachel, amanhã poderá chorar ao lado dela.

    Isso, aliás, se ela estiver chorando, hipótese da qual duvido.

    Rachel perdeu um minuto em horário nobre, mas não perdeu seus maiores bens: a admiração de milhões de pessoas, o apoio incondicional dos indignados, a manifestação carinhosa dos sofredores, os aplausos dos trabalhadores, o legado deixado por sua sede por democracia.

    O silêncio de Rachel promete ecoar ainda mais alto do que suas opiniões.

    Censurada, ela pode ser ainda mais poderosa do que livre. Não porque tenha algum plano maligno, mas porque representa uma larga fatia da sociedade, cansada da mordaça que os assola diariamente. A mordaça da inflação que faz seu salário desaparecer. A mordaça da impunidade que faz seus algozes sorrirem. A mordaça das necessidades que faz seus filhos chorarem.

    É grande o coro dos amordaçados que dizem: “Ainda estou com você, Rachel!”. Mesmo calada, Sheherazade ainda fala.

    R$ 150 milhões podem ‘comprar’ a TV, mas dinheiro algum pode comprar as urnas. E nem mesmo centenas de “Dilmas” conseguirão calá-las quando elas resolverem gritar…

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    Se você amou ou odiou este texto, não deixe de enviar um e-mail para arthur@rd1audiencia.com. Se preferir, manifeste sua admiração e/ou indignação no Twitter, onde sou o @ArthurVivaqua.

    Tá esperando o quê? Corra enquanto ainda estamos livres!

  • Justus comanda com maestria programa que leva seu nome

    Justus comanda com maestria programa que leva seu nome

    Nas madrugadas de segunda-feira, entre a inovação do “The Noite” e a tradição do “Programa do Jô”, a Record esconde uma das maiores pérolas de sua programação.

    Com pouco mais de dois anos no ar, o “Roberto Justus +” amarga baixa audiência, mas apresenta alta qualidade, sendo o talk show nacional mais fiel ao gênero. Com uma estrutura baseada em três pilares – pautas, externas e comando -, o programa cumpre sua missão com excelência.

    A escolha dos temas é sempre criteriosa, sem nunca, porém, deixar de ser criativa. Numa edição, Justus debate a realidade das periferias; na outra, conversa com brasileiros que brilham no exterior. É assim, apostando em pautas atuais e ricas, que o programa se mantém interessante do início ao fim.

    O fio condutor da atração são os vídeos curtos e reportagens objetivas que “costuram” o tema da noite, apresentando-o sob diversos ângulos. Em externas impecavelmente dirigidas, Justus aparece em cenários criativos, com texto afiado, e rodeado por gráficos e efeitos especiais “no ponto” – a identidade visual do talk show, moderna e sofisticada, é outro grande acerto.

    Por fim, o próprio Roberto aqueles que estavam acostumados com seus modos robóticos à frente de “O Aprendiz”, provando que, mais do que nunca, deixou de ser um “publicitário na TV” para se tornar apresentador de verdade. Ou, pelo menos, entrevistador de verdade.

    Firme sem deixar de ser simpático (e, com o perdão do pleonasmo, simpático sem deixar de ser firme), Justus consegue extrair o melhor de seus convidados, sempre mantendo o bate-papo em alto nível. Neste ponto, um único defeito floresce: o tempo de arte do programa é curto, deixando sempre a sensação de que todos poderiam ter falado mais.

    Por fim, utilizando a “Pergunta +”, artifício perfeito para encerrar o debate, Justus parece ter aprendido a, sem descer do salto, fazer com que o convidado tire os pés do chão.

    ***

    Diante de tantas qualidades, uma questão ainda permanece no ar: Por que o “Roberto Justus +” amarga audiência raquítica – entre 1 e 3 pontos –  e perde até para a Band?

    A resposta é simples: Roberto tem a árdua missão de entrar no ar após a malfadada “trinca de séries” que tem assassinado todo o horário nobre da Record.

    Na última segunda-feira (07), por exemplo, a série “Era Uma Vez”, começando às 22h25, marcou 4 pontos. Vindo em seguida, às 23h25, “Homens Contra o Fogo” marcou 3. Iniciando-se à 0h20, o “+” ficou com 2. Como alcançar uma pontuação diferente sendo antecedido por produtos assim?

    Na mesma segunda-feira, o “Programa do Jô” marcou 5, tendo recebido com 7 e mantendo, portanto, 70% do público. Proporcionalmente, Justus, que manteve 66% do público que o antecedeu, não está indo mal.

    O cerne da questão é o isolamento do talk show, que parece ser desprezado pela Record e foi relegado a uma “ilha” da programação. É como tentar vender travesseiros numa loja de sapatos e descobrir que não são os travesseiros que são ruins, mas o ambiente é que não é propício.

    A Record tem nas mãos um produto que poderia encerrar sua programação com chave de ouro, mas insiste em tratá-lo como sucata.

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  • Rachel anuncia canal oficial no Youtube

    Rachel anuncia canal oficial no Youtube

    Ferramenta diária de lazer e trabalho para milhões de brasileiros, a internet possui um papel ainda mais especial na vida da jornalista Rachel Sheherazade, âncora do “SBT Brasil”.

    ‘Descoberta’ graças à repercussão de um de seus comentários sobre o Carnaval quando ainda apresentava um telejornal regional na Paraíba, Rachel exalta a importância da rede. “Foi graças a essa mega repercussão que o Silvio Santos me conheceu e viu em mim potencial para comandar o ‘SBT Brasil’. Foi graças ao poder da internet que acabei saindo de uma televisão regional para uma emissora em rede nacional”.

    Engana-se, porém, quem pensa que a jornalista abandonou o YouTube e as demais redes sociais após sua ascensão profissional. “A internet é hoje a mais moderna e completa ferramenta de comunicação. Por isso é de grande importância que o profissional de jornalismo conheça esse instrumento e saiba manuseá-lo bem. Acredito que é indispensável ao comunicador formador de opinião estar em sintonia e contato com o telespectador também através da rede”, exalta Sheherazade, que costuma dialogar e debater com internautas no Twitter e também mantém uma página oficial no Facebook.

    Questionada acerca de seu relacionamento diário com a tecnologia, Rachel destaca que a internet tem beneficiado seu relacionamento com os telespectadores. “Na TV, a informação é de mão única. Na rede mundial, é possível ter um feedback instantâneo e direto do meu trabalho. Além disso, através da internet, meus comentários ganham uma repercussão ainda maior, pois são compartilhados e comentados no Brasil e no mundo”.

    Nem tudo, porém, são flores no ‘jardim virtual’. Admirada por multidões, Rachel também conhece o outro lado da moeda e é alvo do ódio de grupos organizados que defendem causas como o aborto e a legalização da maconha, teses já rechaçadas por Rachel na bancada do telejornal. Cristã, a âncora também não é benquista entre grupos ateístas.

    Suas constantes críticas aos escândalos protagonizados pelo PT também têm contribuído para torná-la uma das pessoas mais perseguidas nas redes sociais. “É lamentável que militantes financiados com dinheiro público usem a internet para difamar e tentar denegrir a reputação de jornalistas independentes que não se dobram ao poder político, como é o meu caso”, conta.

    Ao ser perguntada, porém, se a atuação dos inimigos já a fez pensar em abandonar a internet, Rachel é enfática: “Essas pessoas não me intimidam. Como se escondem atrás de perfis falsos, esses militantes não têm credibilidade para sustentar o que dizem”.

    Para celebrar todo o apoio recebido pelas redes sociais, Sheherazade está lançando um canal oficial no YouTube, onde ainda hoje vê seus vídeos alcançarem milhões de views. O projeto, ainda embrionário, visa estreitar os laços entre a jornalista e o público. ”Quero manter um canal de comunicação com meu público para que as pessoas possam assistir os comentários e dar sua opinião. Pretendo organizar os vídeos numa ordem cronológica e formar um acervo digital onde os internautas possam acessar todos os meus videos de forma rápida e prática”, conta Rachel, deixando seu mais novo endereço virtual – www.youtube.com/sheherazadeoficial – e dizendo que combater falsos perfis em outras redes também será uma de suas prioridades.

    De férias, a jornalista ainda é o foco de representações e denúncias feitas por deputados da base governista, que a acusam de ter “incitado a violência” ao comentar a ação de um grupo de moradores que amarrou um assaltante a um poste no Rio de Janeiro. Destemida, Rachel diz não se abater com as críticas. “Jamais provaram qualquer acusação que me fizeram. Acredito na força da verdade, ela me conduz e me justifica. Não preciso me defender de nada”, finaliza.

  • Danilo comanda o "The Noite" no SBT

    Danilo comanda o “The Noite” no SBT

    Nas últimas semanas, os embates entre Jô Soares e Danilo Gentili – e, principalmente, as derrotas do veterano para o novato – têm sido um dos principais temas dos sites especializados em TV.

    Os que conseguem ir além da superfície dos números, no entanto, já perceberam algo: Jô e Danilo não são concorrentes, embora ambos apresentem talk shows nas madrugadas, assim como suco de maracujá e Coca-Cola não são concorrentes, embora ambos sejam bebidas.

    Bebem suco de maracujá os que querem calma, bebem Coca-Cola os que buscam diversão. Eis aí, aliás, uma boa metáfora para Soares e Gentili: um é a antítese do outro.

    Jô investe no talk, enquanto Danilo dá show.

    Jô recebe o ministro do STF Marco Aurélio de Mello; Danilo é do tipo que, na mesma noite, recebe Sérgio Mallandro.

    Jô é sinônimo de tradição; Danilo, de inovação.

    Jô é servido por um garçom chileno; Danilo é assessorado pela Juliana.

    Jô aposta num formato engessado; Danilo se dedica a quebrar o gesso.

    Jô parece determinado a manter-se, enquanto Danilo busca reinventar-se.

    Jô x Danilo é, enfim, um duelo paradoxal. Enquanto o global aposta no conforto, Gentili investe no confronto e, por consequência, ganha de lavada em quesitos como repercussão, buzz e ousadia.

    É certo que as atuais vitórias de Danilo não apagam a trajetória brilhante de Jô, mas os números deixam claro que as glórias de outrora não sustentarão o “gordo” no topo por muito mais tempo.

    Curiosamente, é o tempo que dá o tom do duelo. Gentili é o que Jô já foi e Jô hoje é o que Gentili não gostaria de se tornar. O tempo que acomodou o veterano é o mesmo que parece impulsionar o recém-chegado.

    No fim, quem ganha é o público, recheado de opções.

    Para noites insones, Jô.

    Para perder o sono, Danilo.

    ***

    A postura de ambos em relação ao embate também é emblemática.

    Em entrevista recente, Jô (desdenhoso?) afirmou ainda não ter assistido ao “The Noite” porque “também está trabalhando”. Danilo, mais humilde, nunca deixa de comemorar publicamente cada vitória sobre o colega ocupado, que, a julgar pela apatia com que reage aos novos tempos, parece estar disposto a se isolar num pedestal mambembe, prestes a cair.

    Cuidado, Jô. A escada pela qual Danilo está subindo parece ficar cada vez mais sólida.

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  • Caio Castro: Estante vazia lhe custou caro

    Caio Castro: Estante vazia lhe custou caro

    O Código Penal nada fala sobre o assunto, mas não gostar de teatro e ler apenas por obrigação deveria, segundo alguns artistas e pensadores, ser considerado crime. A pena deveria ser severa e incluiria desde críticas a julgamentos, passando por desdém, zombaria e uma boa dose de desprezo.

    O primeiro incauto pego em flagrante cometendo o delito foi o ator Caio Castro, que, em entrevista a Marília Gabriela, ousou confessar que o teatro “não lhe apetece” e que a leitura é apenas uma “obrigação para se manter antenado”.

    As declarações foram suficientes para que Castro despertasse a fúria impiedosa e a piedade furiosa da Polícia Intelectual, órgão fundado por alguns de seus colegas de profissão como Ingrid Guimarães, Pedro Paulo Rangel e Miguel Falabella.

    A pseudo-polêmica pode, a princípio, parecer sonolenta, mas, se analisada a fundo, traz uma questão que deveria nos manter acordados: É correto viver num mundo onde Caio seria aplaudido caso mentisse, mas acabou apedrejado por falar a verdade?

    É fato que se o jovem galã dissesse amar as peças de Shakespeare e devorar a obra de Clarice Lispector seus colegas o aclamariam sem se dar ao trabalho de conferir sua estante. Como, no entanto, Caio foi sincero, esta mesma patrulha decide julgar seu valor devido aos seus gostos!

    Teria Caio perdido o direito de não gostar de teatro e literatura sem que isso o torne inferior a alguém? Segundo Ingrid Guimarães, sim. ”Fico pensando como vão ser os atores do futuro que não tem formação, não passaram pelos palcos, não viveram em grupo, não tem referência e já tem uma equipe enorme de empresários, assessores, e ganham um dinheirão logo nos primeiros anos de carreira”, escreveu a atriz em sua página no Facebook.

    Ora, o que Ingrid quer dizer com isso? “Atores do futuro” que leem e amam teatro estariam mais preparados para “ganhar um dinheirão logo nos primeiros anos de carreira” somente porque são mais “cults”?

    Ler e assistir peças torna alguém moralmente superior a outrem? Não ler e não assistir peças torna alguém digno de desprezo? Deixemos o autor Miguel Falabella responder a estas perguntas com suas próprias palavras:

    Esse tipo de gente não interessa e ponto. Você só erra quando o chama de ator, querida. Não é ator. É desinibido”, escreveu Miguel, exercendo gratuitamente o papel de juiz.

    Atente para o “esse tipo de gente” apontado pelo autor. Escrita com escárnio, a expressão parece se referir a ladrões, canalhas e afins, mas não. O foco é Caio Castro, um homem maior de idade que simplesmente não gosta de ler e nem vai ao teatro.

    O discurso de Ingrid e Miguel encontra eco na mídia e em grande parte da sociedade, que têm se dedicado à manufatura de uma mordaça intelectual que determina o que todos devem pensar, fazer e dizer.

    Eis o retrato de um mundo que está tão cheio de si que, para sobreviver, precisa se dedicar a esvaziar os outros.

    ***

    Orgulho-me de dizer que, aos 22 anos, já li cerca de 300 livros. O dia, porém, em que me achar superior somente pelo fato de lê-los, mostrarei que não era digno de tê-los lido.

    Meus livros ampliaram meus horizontes, minha visão de mundo, meu ser. Minha biblioteca, no entanto, não me dá o direito de menosprezar (ou condenar) algum colega que, por motivos que só interessam a si mesmo, prefere assistir séries americanas ou empinar pipa.

    Ler é, obviamente, um hobby maravilhoso. O teatro é, igualmente, uma arte fascinante. Nenhum dos dois, porém, tornará um homem superior ao outro. Mais inteligente, sim. Mais articulado, sim. Mais capacitado, sim. Superior, na essência do significado da palavra, não.

    Não importa quantas páginas eu já li, Caio Castro pode sim ser um homem melhor do que eu. Não importa quantas peças Miguel e Ingrid assistiram, Caio Castro pode sim ser tão bem sucedido quanto eles.

    E é neste mundo, onde o valor humano reside no caráter e não na estante, que prefiro viver. O maior obstáculo é ter que lidar com “esse tipo de gente” que insiste em tentar ser maior do que é e falar mais do que deve.

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  • Sheherazade divide opiniões ao dar sua opinião

    Sheherazade divide opiniões ao dar sua opinião

    Quando moradores do Rio de Janeiro amarraram um assaltante a um poste, podiam imaginar que sua ação ganharia os jornais, mas certamente não sabiam que ela dividiria os jornalistas.

    Ao comentar o ocorrido, Rachel Sheherazade, âncora do “SBT Brasil”, afirmou na bancada do telejornal que “a atitude dos ‘vingadores’ é até compreensível”, classificando a ação dos populares como a “legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite”.

    Um minuto e vinte e sete palavras depois, Rachel foi amarrada ao poste da intolerância e da incompreensão.

    Em dois dias, a jornalista foi repudiada publicamente pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro e pelo PSOL, representado pela figura do deputado Ivan Valente.

    ENTREVISTA: “Jamais pregaria a violência”, afirma Rachel Sheherazade após opinião polêmica

    Não quero dedicar estas linhas a debater a opinião de Rachel, da qual, pessoalmente, discordo. O tema a que desejo me ater, porém, é o que motivou a discordância irada de “palpiteiros profissionais”, jornalistas, militantes e formadores de opinião – salada mista formada por uma esmagadora maioria de haters de Rachel.

    Por que essa trupe deu tanta atenção ao comentário da âncora?

    Inocentemente, poderíamos achar que o motivo da revolta foi a compaixão que sentiram pelo rapaz amarrado ao poste. Afinal, ele era – ou deveria ser – o cerne da questão. Nos últimos dias, porém, pouco (ou nada) se falou sobre este jovem.

    Militantes não se uniram para lhe doar uma bolsa de estudos.

    Defensores dos direitos humanos não foram até o poste palestrar aos moradores da região sobre a importância do amor ao próximo.

    O assaltante rendido não ganhou absolutamente nada, nem mesmo uma participação no “Caldeirão do Huck”.

    Em suma: Ele foi muito defendido, mas nada amado. Ele não foi querido, mas usado. Para seus defensores, ele é uma causa, não um ser.

    O discurso de ontem não era “Ajudem Este Pobre Rapaz!”, mas “Retirem Rachel da Imprensa!”. O foco dos militantes não era reerguer a vítima, mas tombar a sua [da militância] algoz.

    O episódio ilustra com exatidão o atual momento de nossa mídia e, lamentavelmente, de nossa sociedade: Há um grupo tão ocupado em defender causas que acaba se esquecendo de que as causas só encontram sentido nas pessoas.

    O compromisso dos opositores de Rachel não era com a integridade física do jovem, mas com a integridade intelectual da jornalista. Não queriam ajudar o moço, mas calar a moça.

    Certa para uns, errada para outros, Rachel possui a bênção de representar a si mesma e guerrear contra grupos que afirmam representar pessoas, mas que, no fundo, parecem gritar em nome das próprias convicções.

    Eis aí um ponto interessante: Talvez os inimigos de Rachel sejam mais parecidos com ela do que gostariam. Ambos falam somente o que pensam. A principal diferença entre os lados se encontra na tarja. Isso mesmo, na tarja.

    A que aparece na tela do SBT enquanto Rachel discursa diz “OPINIÃO”; a que se esconde no coração de muitos grupos que a combatem diz “OPORTUNISMO”.

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  • 23/01/2014 às 23:43h

    Mion, Romeo, Você e Eu

    OPINIÃO
    Marcos e Romeo: Dupla tem muito a nos ensinar

    Marcos e Romeo: Dupla tem muito a nos ensinar

    “O diagnóstico é a maneira mais eficaz de limitar alguém.”

    Foi com essas palavras que o apresentador Marcos Mion revelou através do Facebook a singularidade de Romeo, seu primogênito.

    Segundo Mion, o menino possui “dificuldades de desenvolvimento” e se encaixa numa faceta do autismo, embora se encontre na categoria NOS, Not Otherwise Specified (“Sem Outras Especificações”, em português) da doença e seja, em suma, um caso sem diagnóstico específico.

    Com doses cavalares de sensibilidade e doçura, Mion emocionou a seus seguidores e deu origem a um boom de testemunhos e manifestações de solidariedade que estão varrendo as redes sociais.

    O comandante do Legendários classificou Romeo como “um presente de Deus” e agradeceu pela “felicidade de aprender e conviver com um ser humano tão evoluído”.

    Mion, com a exatidão amorosa (ou seria com o “amor exato”?) com a qual somente os autênticos são agraciados, precisou somente de algumas palavras simples para falar sobre conceitos profundos.

    Escreveu pouco, mas falou muito.

    Destaco sua breve e espontânea reflexão sobre a palavra “diagnóstico” e ouso ampliá-la um pouco mais. Ouso dizer que todos, do Romeo a mim, do Mion a você, sofremos com diagnósticos incômodos.

    Não me refiro, porém, àqueles que são dados por médicos. Falo de diagnósticos que não vêm de exames, mas de palavras. Falo daqueles que não são impressos no papel, mas na alma.

    “Você é burro!”, diz o pai rígido.

    “Você é inferior!”, diz o patrão exigente.

    “Você é chata!”, diz o marido ausente.

    Quem nunca recebeu diagnósticos desse gênero? Quem nunca foi oprimido, humilhado ou diminuído por um deles?

    Rótulos deveriam se limitar às latas de salsicha, mas, infelizmente, ocupam grandes lotes em nossos corações.

    A mensagem de Mion, porém, traz consigo uma verdade poderosa: “Diagnósticos são inevitáveis, mas não imutáveis”.

    É impossível impedir que eles cheguem, mas é possível mandá-los embora. O sorriso de Romeo nos prova que a algema que nos liga à opinião alheia está destrancada. Podemos ser livres. E esta liberdade, aliás, reside em três letras:

    NOS, Not Otherwise Specified.

    O “NOS” que impede o diagnóstico exato de Romeo ilustra aquele que deveria ser nosso ideal de vida. Romeo transita por suas limitações sem o peso de um rótulo. Devemos transitar com a mesma leveza pelas tristezas e decepções da vida.

    Ao tomar posse do “NOS” da alma, você afirma querer ser quem é, abandonando o peso de viver como “quem dizem que você é”.

    Sob este ângulo, a receita da felicidade parece simples: Menos peso, mais sorrisos. Menos culpa, mais compreensão. Menos diagnósticos, mais amor.

    Mion, aliás, abandonou o próprio diagnóstico que havia recebido de mim e de boa parte dos telespectadores, que o viam como um mero “palhaço”. Com uma simples postagem, o apresentador deixou de ser “Mion” e passou a ser “Marcos”. Passou a ser um de nós.

    Nós que, tal qual Romeo, precisamos vagar pelos “NOS” de uma vida que está longe de ser perfeita, mas perto de ser alegre. A Romeo e a nós cabe uma única escolha: Tropeçar nas limitações ou ser impulsionado por elas.

    Romeo, pelo que disse o pai, já fez a escolha dele. Qual será a sua?

    ***

    Ao fim de sua mensagem, Marcos revela uma cena familiar.

    “Como uma vez ele [Romeo] me disse: ‘Pai, eu sou seu irmão’. Sim, filho, você é meu irmão de alma. Meu maior orgulho”, escreveu o apresentador.

    Não é extremamente parecido com o que Deus diz a nosso respeito?

    Mesmo conhecendo nossos diagnósticos, Ele nos fala sobre cura.

    Mesmo conhecendo nossos defeitos, Ele insiste em nos perdoar.

    Mesmo conhecendo nossas limitações, Ele nos convida para ir às montanhas.

    Marcos olha para Romeo e não vê o que lhe falta, mas o que lhe sobra. Deus faz o mesmo conosco.

    Nós, aqueles que sorriem sempre e não desistem nunca, somos o maior orgulho de um Deus que enviou seu Filho para ser nosso Irmão.

    E assim, livres de diagnósticos, podemos, assim como Marcos e Romeo, escrever uma história onde a amargura saiu correndo ao avistar o amor.

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  • O autor Lauro César Muniz

    O autor Lauro César Muniz

    Após oito anos e três novelas, a passagem do autor Lauro César Muniz pela Record chegou ao fim há algumas semanas.

    Numa longa conversa, Lauro abre o jogo e detalha os bastidores de sua estada na emissora, analisando o sucesso de “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo” e o fracasso de “Máscaras”.

    Do alto de décadas de experiência, Lauro enumera as principais virtudes e defeitos da direção de sua antiga Casa e expõe problemas graves como a inexperiência de diretores, a existência de desafetos e o não cumprimento de regras básicas.

    Confira:

    RD1 - Se você pudesse voltar no tempo, ainda teria assinado com a Record? Sua passagem pela emissora foi uma “bênção” ou uma “maldição”?

    LCM - Claro que sim! Não poderia permanecer na Globo naqueles dias de dificuldades, início da década de 2001. Minha passagem pela TV Record não foi maldição nenhuma! Foi muito bom escrever as 3 novelas que fiz lá! “Cidadão Brasileiro”, apesar das dificuldades de produção, me fez reviver “Escalada” e “O Casarão”, novelas onde me dei inteiramente. “Poder Paralelo” foi uma novela que deixou nítida a maturidade de produção da TV Record. Elenco muito bom, com Paloma Duarte, Gabriel Braga Nunes, Miriam Freeland, Marcelo Serrado, Tuca Andrada, Gracindo Júnior, Bete Coelho, Karen Junqueira, tanta gente boa! Atores que a Record tinha que manter contratados para criar, a exemplo da Globo, o seu “Star System”! Onde estão esses atores e atrizes hoje? A maioria na Globo, claro! Por que não ficaram na Record? A Record não deveria ter perdido esses atores! Não se faz novela sem um elenco carismático! Quando voltei a fazer novela me perguntei: “Com quem vou trabalhar agora?”. Era preciso recomeçar tudo! Será que há atores para contracenar com a Paloma Duarte? A melhor atriz da casa precisa do apoio de um ator carismático, que tenha a estrela de protagonista! Nem todo grande ator pode ser protagonista! “Máscaras” foi difícil escalar. Para um casal dar “química”, é preciso, antes de mais nada, respeito mútuo entre a atriz e o ator. Uma atriz pode ficar hesitante se o parceiro não estiver à sua altura! Eu tinha muito tesão de escrever “Máscaras”, mas quando vi as cenas do navio, gravadas com enorme dificuldade, senti muito medo. A companhia de navegação dificultava as gravações. Só poderiam ser em horas que não incomodasse o passageiro. Foi um horror e ficou impresso na má qualidade das cenas. “Máscaras” começou assim, muito mal… E eram 9 capítulos quase que inteiramente dentro do navio. Havia muitas cenas importantes naquele navio, cenas de ação forte e a Companhia de Navegação não admitia nenhuma cena mais violenta, contundente. Tive que reescrever os capítulos, transferindo as ações fortes para fora do navio. Melhor seria nem ter o navio, que acabou sendo um grande merchandising sem ganho para ninguém da Record, até onde eu sei.

    E agora perguntam: “Por que nada depois de “Máscaras” foi bem?”. Há uma tese absurda rolando por aí, por insistência de algum profissional que deseja transferir a responsabilidade de todos os 4 desastres para mim, me transformando em bode expiatório. Li uma declaração de um dos membros do Comitê Artístico da Record ao final de “Máscaras”, jogando sobre mim toda a culpa. Então na época me defendi junto à direção artística da TV Record: “Quem colocou no ar a novela ‘Vidas Opostas’ que tinha 14 atores que se repetiam em ‘Máscaras’”? Além de destruir “Máscaras”, o Comitê Artístico, com essa ridícula decisão de repetir “Vidas Opostas”, destruiu também a novela do Marcílio Moraes, talvez a melhor produção da TV Record em todos os tempos.

    Quem fez isso? Será que o senhor Edir Macedo tem conhecimento desse absurdo? Não acredito. Por falar no bispo maior da Igreja Universal, ele homenageou muito acertadamente os profissionais do jornalismo com um jantar, há pouco tempo. Douglas Tavolaro está à frente do jornalismo da TV Record e é um homem do ramo! É muito importante que a teledramaturgia tenha na Record, também um homem do ramo, alguém que entenda de dramaturgia, novelas… Tem sido constrangedor para atores, atrizes, autores, diretores, dialogar com diretores administrativo que pouco sabem sobre o assunto.

    E o horário de “Máscaras”? Programada para às 22h15, todos sabiam que a novela não entraria no ar antes de 22h30. Tudo bem até aí. Mas passados 45 capítulos a novela não correspondeu ao esperado, por tantos erros e absurdos, então se resolve facilmente: joga-se a novela para as 23h30. E se cumpre? Muitas vezes a novela começava às 23h40 para terminar além de 0h30. O público da Record das classes C e D aceita ver a última novela do dia que invade a madrugada? Mesmo assim, se uma medição for feira levando-se em consideração o share, ou seja, os aparelhos ligados e não o universo total de aparelhos, “Máscaras”, com certeza, bateria as infelizes novelas que a seguiram.

    RD1 - O abismo que separa a audiência de Globo e Record ainda é muito grande. Como foi para você, que um dia viu suas novelas girarem em torno de 70 pontos de audiência, ver uma de suas obras dar 5? Isso mexe com o psicológico do autor?

    LCM - Nunca tomei conhecimento do Ibope, na Globo. Sempre era confortavelmente alto. Mesmo em novelas que não eram tão bem sucedidas no Ibope como foram os sucessos “O Salvador da Pátria”, “Escalada”, “Um Sonho a Mais”, “Carinhoso”. Na Record, eu não tirava os olhos do Ibope, minuto a minuto. Era importante dar audiência, consolidar a teledramaturgia da emissora.

    O autor Lauro César Muniz

    O autor Lauro César Muniz

    RD1 - Se por um lado “Máscaras” fracassou, “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo” foram aclamadas por público e crítica. Os dois sucessos superaram o fracasso? Qual é o legado deixado por sua passagem pela Record?

    LCM - Aparentemente sim. Mas não tenho “Máscaras” como um fracasso meu, como julguei inicialmente. Errei na avaliação do público: A programação da emissora está totalmente dirigida a um público muito simples, nada sofisticado. Fiz uma novela de trama complexa que não foi entendida por esse público. Se houvesse na teledramaturgia da Record um diretor administrativo do ramo, ele perceberia que eu estava fora do tom da audiência da emissora. Mas os vários administradores não tinham conhecimento para julgar meus capítulos. Os colaboradores adoravam… ou eram gentis. Eu segui em frente.  Quando a novela estreou, eu já tinha 40 capítulos.

    Recebi muitas manifestações de total apoio pelo meu trabalho em “Máscaras”. Mas não do público alvo, mas de pessoas de alto nível, jornalistas, professores, colegas, que se manifestavam claramente por e-mails. Muito recentemente, um dos jornalistas mais eminentes de um jornal importante de São Paulo elogiou fartamente Máscaras como uma novela que acompanhou e o deixou preso do início ao fim.

    Legado? É muito tarde para aprender com os erros. Não voltarei a fazer novelas longas. Não tenho mais disposição. Vou fazer teatro, cinema e minisséries.

    RD1 - Fazendo um paralelo interessante para o público que acompanhou suas três últimas novelas, a que personagem você se compararia?

    LCM - Eu sempre me identifiquei muito com o Antônio de “Cidadão Brasileiro” por ser um personagem nascido em “Escalada”, a minha novela mais autobiográfica. Eu contei a história de meu pai na primeira época da novela e depois a minha própria com a experiência de um casamento desastroso que acabou em desquite (ainda não havia o divórcio). Essa relação autobiográfica é mais pela experiência de vida do que de fatos e ações. Meu pai nunca foi para Brasília como os Antônios de “Escalada” e “Cidadão Brasileiro”.

    RD1 - Há quem diga que seu estilo é profundo demais e destoa do perfil de teledramaturgia da Record. Você, como disse, concorda com esta visão. Este perfil limitou sua liberdade criativa?

    LCM - O meu erro foi não ter me adequado ao perfil da emissora. Mas eu pergunto: Por que o nível das novelas caiu tanto no Brasil? Fomos grandes no passado! Como as novelas ficaram muito amarradas ao nível do público, sem correr riscos, temos que recuperar a qualidade por um caminho difícil, mas não impossível:

    1. Baixar drasticamente o número de capítulos das novelas;

    2. Diminuir o número de autores e diretores em uma novela. Criar uma equipe fixa.

    3. Com as novelas mais curtas, fazer uma passagem suave, mas firme, para outro gênero: as séries!  O futuro da boa qualidade da teledramaturgia está nas séries. Estamos atrasados, mas podemos chegar lá.

    Vi os 63 capítulos de “Breaking Bad” como espectador fascinado, mas também como analista profissional. Tem uma estrutura firme e coesa de uma minissérie: história central poderosa com histórias paralelas que enriquecem e mobilizam a história central. Acho que vale a pena a TV Globo, que tem grande qualidade técnica e ótimos autores, marchar nessa direção. A TV Record exibirá “Breaking Bad” e isso será muito bom para a emissora. Mas arrisco uma questão: Com toda a grade voltada para as classes C e D, a Record terá que atrair público das classes A e B, sob pena de não atingir plenamente a força de audiência que tem “Breaking Bad”. Como atrair as Classes A e B tão distante da programação da Record? Abrir um “oásis” na grade? Tomara que dê certo, mas…

    RD1 - Você possui um grupo de atores “fiéis” ao seu trabalho na Record, dentre os quais se destaca Paloma Duarte. Acha que sua saída pode provocar uma debandada na dramaturgia da Casa?

    LCM - Não. Todos devem continuar dando o melhor de si, se empenhando para fazer boas personagens. Recuperar alguns atores perdidos é importante. Quando vejo o sucesso dos atores que estiveram comigo em “Poder Paralelo” fico feliz por eles! Incrível os sucessos do Marcelo Serrado e Gabriel Braga Nunes.

    O autor Lauro César Muniz

    O autor Lauro César Muniz

    RD1 - “Pecado Mortal”, mesmo com o crescimento da Record no horário nobre, mantém índices inferiores aos de “Máscaras”. A que, na sua opinião, se deve este fenômeno? A dramaturgia da Record está sofrendo um “apequenamento”?

    LCM - Logo que “Pecado Mortal” estreou eu tentei contato com os diretores responsáveis pela novela. Eu não percebi meus erros (sofisticação?) em “Máscaras”, mas via problemas sérios em “Pecado Mortal”. De texto? Não! De inadequação geral, desenfreado ritmo numa novela que tem diálogos brilhantes que devem ser ouvidos! Lombardi é o maior dialogista da TV brasileira. Fazer aquela correria desenfreada deu no que deu: será difícil. Como não me deram atenção, falei diretamente com o Lombardi, que concordou comigo. Por que não me ouviram? Por que não programaram uma reunião entre mim, o Lombardi e o Avancini? Conheço muito bem o Carlos Lombardi! Fui supervisor dele em “Perigosas Peruas”, uma de suas primeiras novelas…

    Na realidade, como você citou, há um “apequenamento”, uma desorientação na teledramaturgia da Record. Salta à vista dos analistas que têm escrito sobre isso. Eu acho que falta o Tavolaro da dramaturgia na Record (risos). Quem seria? Por que a Record teme que alguém de fora da IURD assuma a teledramaturgia?

    RD1 - Sua esposa sai da Record junto com você ou permanece na Casa?

    LCM - A Bárbara nunca foi contratada da Casa. Fez duas novelas por “obra certa”. Fez um ótimo papel em “Máscaras”, a Zezé, personagem fascinante que até hoje reverbera nas ruas, nos locais públicos. A Bárbara Bruno, excelente atriz, foi prejudicada por ser minha mulher. Quando assinei meu contrato, quatro anos atrás, tive a promessa de um diretor de que ela seria contratada. Durante dois anos este diretor me enrolou. Quando fui escalar “Máscaras”, fui firme: “Zezé foi criada para ela. Se ela não fizer a novela, deixo a emissora ao final da novela”. Ela fez e quando terminou a novela ela não foi recontratada apesar de seu sucesso pessoal. Alegam alguns diretores da emissora: “Aqui não há lugar para nepotismo”. Isso não é nepotismo! A Globo enfrenta essa questão de outro jeito: o mundo artístico vive como no circo. Os melhores são mesmo os da família… Gerações e gerações seguem trabalhando juntos.

    RD1 - Você gostaria de ter continuado na emissora?

    LCM - Não gostaria de continuar na emissora no estágio em que está hoje. É fácil prever que, em futuro breve, os diretores de plantão da atualidade serão trocados. A teledramaturgia caminha para a extinção se nada for feito. Os que estão no poder hoje na TV Record não têm condições de levantar as novelas, a menos que façam profundas alterações.

    RD1 - Ainda podemos ter esperança de ver sua minissérie sobre Carlos Gomes, projeto rejeitado pela Record, indo ao ar em outra emissora? Globo e SBT são uma possibilidade?

    LCM - Na Record, não. Acho que farei Carlos Gomes em uma emissora fechada, por assinatura, ou no cinema, preparando para ser exibida na TV em poucos capítulos. Estou trabalhando para isso.

    RD1 - Deixe um recado para a legião de telespectadores que o acompanhou nos últimos anos.

    LCM - Tentei fazer telenovelas que discutissem questões importantes para o país e discutisse individualmente as perplexidades de homens e mulheres. Muitas vezes fui muito feliz, como em “O Casarão”, “Espelho Mágico”, “Escalada” e “Poder Paralelo”. Em outras vezes não consegui, como em “Os Gigantes” e “Máscaras”.

    RD1 - Pedimos ao autor que fizesse um “bate-bola” rápido acerca de sua passagem pela Record. Veja:

    O melhor momento – O lançamento e a estreia de Poder Paralelo;

    O pior momento – O lançamento de Máscaras, quando ficou evidente a todos o clima de desarmonia na produção.

    O melhor diretor – Edgar Miranda (Máscaras); Ignácio Coqueiro (Poder Paralelo)

    O melhor ator – São muitos, mas destaco o trabalho de Gabriel Braga Nunes (Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo), Marcelo Serrado (Poder Paralelo) e Tuca Andrada (Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo).

    A melhor atriz – Paloma Duarte (Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo e Máscaras) e Cleyde Yáconis (Cidadão Brasileiro)

    O melhor personagem – Antônio Maciel (personagem central de Cidadão Brasileiro).

    O pior personagem – Não fiz boas personagens em Máscaras no núcleo da casa de Valéria. Devo uma boa personagem à melhor atriz daquele núcleo: Bete Coelho.

    A melhor cena – A partida de Antônio da cidade de Guará depois do seu fracasso comercial (Cidadão Brasileiro).

    Um arrependimento – Tentar fazer ações em um navio, em cruzeiro (Máscaras).

    Um orgulho – Manter minha coerência, não ceder ao mau gosto e clichês.

    Um amigo – Paloma Duarte.

    Um inimigo – ??? Não vou citar os três nomes dessas interrogações.

    Uma frase – Esta é para os responsáveis pela TV Record: “Não joguem pérolas fora!”

    O que ensinou – Ensinei colaboradores que queriam assimilar meu método e estilo.

    O que aprendeu – Não devo insistir a dar pérolas aos porcos, a quem não tem talento.

    O que ganhou –  Convivi com pessoas que pertencem a um mundo oposto ao meu.

    O que perdeu – 3 amigos.

    “Cidadão Brasileiro” – Quero rever essa novela no ar, com o último capítulo sem cores fortes.

    “Poder Paralelo” – Quero rever essa novela no ar.

    “Máscaras” – Uma boa novela, na hora errada, na emissora errada para o público errado.

GRUMFT (ex-catus)
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