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João Paulo Dell Santo

  • Mateus Solano, o vilão da vez

    Mateus Solano, o vilão da vez

    “Amor à Vida” entrou em cena na última segunda-feira (20) com arquétipos capazes de fisgar o telespectador logo de cara: a mocinha rejeitada; o mocinho que sofre uma grande perda (a morte da esposa e do filho no parto); uma mãe que rejeita a própria filha por esta ser adotada; um vilão maléfico de nascença e ao mesmo tempo gay e enrustido, mas com pegada – favor frisar; um anti-herói capaz de arrancar suspiros à medida que cultiva o ódio alheio. É o padrão Walcyr Carrasco, um pouco moderado, diga-se.

    Um tanto quanto didática, outra marca de Carrasco, principalmente nas primeiras sequências, em Machu Picchu, “Amor à Vida” entrou em cena mostrando seus principais trunfos. Mas um em especial me chamou atenção, e por isso dedico este texto a ele: Mateus Solano, o Félix.

    Marcado por dar vida a mocinhos na TV, Solano roubou os holofotes para si assim que apareceu no vídeo. Os trejeitos, as frases de efeito, o humor negro, o olhar fulminante e pecaminoso, o ar de desprezo reservado aos que lhe cerca. Sem dúvidas, um personagem e tanto. Determinado e feliz, Mateus soube embarcar nas nuances de Félix. Seria a versão masculina de Carminha (Adriana Esteves)? A ver.

    O elenco – quase 90 nomes – aos poucos será apresentado. Mas por esse capítulo de estreia é possível dizer que Paolla Oliveira, Susana Vieira, Malvino Salvador e Leona Cavalli serão responsáveis por boas sequências. Há ainda a presença de grandes nomes, como Antônio Fagundes, Ary Fontoura, Fúlvio Stefanini, Nathália Timberg e Rosamaria Murtinho.

    Elizabeth Savalla e sua Márcia (em uma rápida primeira aparição, a personagem fez o parto de Paloma, a mocinha da vez) será responsável pelos momentos mais cômicos da produção, ao lado da filha periguete Valdirene, papel de Tatá Werneck, que só entra na segunda fase da história.

    À primeira vista, “Amor à Vida” reserva uma trama central intensa, paixões, amores, um vilão icônico e muita comédia, outra marca de Walcyr. Um novelão com todo jeito de filme. Um belo programa para os próximos meses.

  • Tom Zé

    Tom Zé

    Tom Zé voltou a ser assunto na mídia esses dias por um episódio um tanto quanto desagradável. Deu-se no Rio de Janeiro, numa casa de shows, no último dia 10. Enquanto cantava, o cantor teve um copo de cerveja arremessado no palco. O ato provocou a fúria do baiano.

    No trecho abaixo, Tom profere um arsenal de xingamentos e palavrões para delírio da plateia, que o ovaciona. Outros trechos sobre o episódio estão disponíveis no You Tube – o que publico aqui se aproxima de 200 mil visualizações.

    Longe de uma ode a artistas “porra-loucas”. Se bem que nossos ídolos andam sem personalidade, apagadinhos. Chamo a atenção para o desrespeito que grande parte do público passou a reservar a baluartes da música popular brasileira, enquanto meteoros, camaros e tchetcherêrêtchetches são cultivados.

    Tom Zé é um sustentáculo vivo de nossa cultura, um dos líderes do movimento Tropicália, compositor, instrumentista e arranjador. Um dos poucos artistas que quando confrontado tem algo a dizer. Dispensa-se currículo. Respeito é bom, e Tom Zé merece, porra!

    Em meio a atual conjuntura da música brasileira, clamar por talento e desejar conteúdo chega a ser obrigatório. E abusivo. Ah, os fã-clubes. Se bem que gosto não se discute. Mas a falta dele, sim.

    Ano passado, Rita Lee tocou o terror em Aracaju, irritou o governo local e tirou do sério a PM do Estado. Mandou as autoridades à merda. Foi presa por desacato e ameaçada de processo. Houve protestos país afora, inclusive de gente da “nata”. No fim, as autoridades voltaram atrás. Rita foi “perdoada”. Ficou a audácia e o desrespeito.

    Artistas como Tom Zé e Rita Lee não vendem revistas. Nem emplacam paradas de sucesso nas rádios. Não mais. Só são lembrados quando algo de ruim acontece. Ou quando morrem. A mídia segue o que a massa prolifera. A massa consome o que a mídia vende. Não importa se um verso é repetido 34 vezes numa mesma canção. A indústria musical brasileira tornou-se rasa, medíocre e xexelenta.

    *Dedico este post aos (poucos) artistas que não se curvam ao modismo e nem nadam com a corrente. Àqueles que honram com muito esforço o cabedal conquistado com tanta dedicação e talento em anos e anos de estrada.

    “Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.” (Albert Camus)

  • Bárbara Ellen (Giulia Gam)

    Bárbara Ellen (Giulia Gam)

    Festejada por boa parte da crítica, “Sangue Bom” vem fazendo sua lição de casa com muito louvor. No último sábado, 11, isso ficou mais uma vez comprovado.

    Folhetim fincado com os dois pés na comédia, “Sangue Bom” promete abordar nos próximos sete meses – a Globo analisa a possibilidade de esticá-lo em até 30 capítulos para adequar o calendário  da sucessora – o pantanoso mundinho das celebridades (expressão usada à demasia pela jornalista Fabíola Reipert).

    Tudo ali é pensado. Cada frase (de efeito) dita tem um alvo a acertar. Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari não brincam em serviço.

    No sábado, em conversa com uma de suas filhas adotadas, Bárbara Ellen, personagem de Giulia Gam (há quem veja semelhanças com Susana Vieira, maldade…), soltou até aqui a sua maior pérola: “Mas é claro que eu quebrei uma garrafa na cabeça do Dennis Carvalho. Onde já se viu, me convidar para viver uma atriz decadente numa novelinha das 7 aí, de dois autores petulantes. Quebrei mesmo”.

    A frase soaria normal se Dennis não fosse o diretor de “Sangue Bom”, novela das 7, escrita por Adelaide e Villari, e Gam não vivesse a polêmica Bárbara Ellen, uma atriz decadente. É “Sangue Bom” brincando e rindo de si própria. É humor fino, sarcasmo puro, ironia em degradé!

    Possa que esteja enganado, mas o texto é do Vincent, jovem autor de 34 anos que desde os 16 tem serviços prestados à Globo. Em “Ti Ti Ti” (2010), os mesmos “sintomas” eram sentidos em Jaqueline, personagem da exuberante Claudia Raia.

    Até aqui, “Sangue Bom” vem oscilando entre 25 e 27 pontos, marca ligeiramente superior à “Guerra dos Sexos”. Mas uma coisa é certa, no quesito genialidade essa novelinha das 7 aí promete causar muito frisson.

  • 09/05/2013 às 19:55h

    Record: O começo do fim?

    OPINIÃO

    Se confirmada a notícia levada aos holofotes por Keila Jimenez na edição desta quinta-feira, 09, do jornal Folha de S.Paulo, temos pela frente a derrocada de um gigante que sequer se deu conta da sua estatura.

    Segundo informa Jimenez, a Record está em vias de terceirizar grande parte de sua produção – novelas, séries, programas de auditório e até o jornalismo – com o intuito de diminuir seus custos para ver se “a conta fecha”. Estima-se que a Record tenha encerrado 2012 com um rombo de R$ 80 milhões, mesmo com os robustos R$ 500 milhões pagos pela Igreja Universal pelas madrugadas do canal.

    Há quem tenha comemorado a notícia. Há quem tenha achado a solução para os problemas da emissora. Considerar benéfica a utilização de mão-de-obra de fora quando se conta com um “quase-Projac” é algo que merece melhor reflexão.

    A Record – espero, Keila, que você esteja errada – abrir mão de produzir para comprar pronto, MESMO SENDO MAIS BARATO, é um retrocesso operacional e estratégico. Contratos com artistas serão renegociados, alguns, inclusive, serão contratados por obra, diz Fernando Oliveira. Patrícia Kogut fala em demissões de 114 profissionais no Rio. Janaina Nunes coloca o número na casa dos 230. Flávio Ricco traz à tona enxugamento também nos quadros da IURD. Estaria a emissora próxima de uma hecatombe?

    A Record, dona de uma estrutura extra-Globo nunca antes vista, paga agora por erros primários do passado. A coisa desandou quando acharam que o mercado e, principalmente, os telespectadores queriam outra Globo, só que mais popular – por ironia do destino, é o que acontece atualmente por iniciativa da líder de audiência. Erraram a mão no popular, o transformaram em popularesco.

    A Record conseguiu o feito de inflacionar o mercado, de gerar emprego para profissionais que viviam esquecidos pela Globo, de transformar atores do “segundo escalão” em grandes nomes da dramaturgia. Provocou a rival. Ocasionou mudanças. Tirou a Globo do pedestal.

    Em contrapartida, a emissora de Edir Macedo adotou uma estratégia suicida. Pagou o dobro por um profissional da concorrente. Manteve um banco de mais de 200 atores quando se produzia apenas uma novela por ano – a maioria, diga-se, com contrato de 5 anos e uma longa estadia na geladeira. O inchaço uma hora não seria suportado. E é o que acontece. Com a audiência em baixa – salvas honrosas exceções -, com o mercado direcionando seus investimentos para a Copa das Confederações e o Mundial de 2014, com um noticiário negativo pregado à sua imagem, o sapato da Record apertou.

    Keila fala ainda que este novo modelo de negócio pode ser seguido por outras emissoras. Concordo, emissoras decadentes têm é mesmo que buscar parcerias com produtoras independentes amparadas por leis de incentivo do governo. Mas é o caso? Breno Cunha, crítico metido a babalorixá, acha que o modelo pode funcionar, uma vez que é sucesso nos Estados Unidos. Pena que não habitamos o primeiro mundo feudal.

    Longe de ser uma faca de dois gumes, adotada essa estratégia, a Record dá início ao seu fim. A derrocada do gigante que, inconsequente, esqueceu-se que era tão grande quanto o vizinho. Uma pena.

  • Susana Vieira e Antônio Fagundes estarão em "Amor à Vida"

    Susana Vieira e Antônio Fagundes estarão em “Amor à Vida”

    Vivemos num Estado laico, isto é, as autoridades religiosas não fazem parte da regulação da vida pública. Isso na teoria.

    Em janeiro, como noticiado por este mesmo site, a Record se pautou em protestos de internautas e religiosos contra atrações da Globo (“O Canto da Sereia”, “Salve Jorge” e “Festival Promessas”), que, segundo estes, pregavam a bissexualidade, umbanda, exaltação a figuras do candomblé e marketing religioso. Participaram da “reportagem” evangélicos que habitam o condomínio da Igreja Universal do Reino de Deus, cujo o líder, bispo Edir Macedo, é dono da Record.

    Chego a acreditar que, em parte, a “reportagem” alcançou seu objetivo. Não com a minissérie estrelada por Isis Valverde ou com o festival de música gospel, mas contra a atual novela das nove, que, duramente criticada e esnobada, virou o alvo-mor desses protestos.

    Após seringadas e conga conga conga, eis que “Salve Jorge” se aproxima de seu fim, com modestos 33 pontos de média-geral (a meta é 40). Não estou atribuindo o fracasso da trama somente aos protestos, isso foi apenas um fator importante; a novela é ruim mesmo. Mas voltando ao que interessa, a partir de 20 de maio, a Globo põe no ar “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco. A trama é tida como “a salvadora da pátria”, conta com uma história forte e um elenco hollywoodiano.

    Pois bem, a vinte e dois dias de sua estreia, “Amor à Vida” tem pela frente o mesmo incômodo caminho. Fãs (ou seriam fanáticos?) do pastor e deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, aquele que é acusado de tecer comentários homofóbicos e racistas, deram início a uma ofensiva de comover. Numa página no Facebook, “Marcos Feliciano Me Representa Sim” (favor deixar claro que não é o perfil oficial do parlamentar), internautas “acusam” a Globo de tentar destruir a “família tradicional brasileira” (comerciais de margarina não chegaram a tanto) ao tentar enfiar na mente das pessoas que é “normal” a “nova” configuração familiar.

    Se tiver certo despudor, tente ler a peça abaixo, um tanto quanto cômica e muito mal escrita. Há erros crassos de concordância, pontuação, acentuação e um feito magnífico, a criação de novas palavras. Oremos!

    Não fossem os inúmeros erros de escrita, seria cômico

    Não fossem os inúmeros erros ortográficos, seria cômico

    Vasculhando a página por inteiro é possível encontrar outra “denúncia”, desta vez contra a emissora por um todo. Os protestantes acusam a Globo de agir contra Feliciano, colocando seu numeroso casting contra ele e promovendo histórias que o “incriminam”. Oremos 2!

    Para o mesmo grupo, a Globo é reino de Satã. Sei...

    Para o mesmo grupo, a Globo é reino de Satã

    É primordial que se respeite as diferenças de credo, raça, ideologia etc etc etc. Os evangélicos (cristãos) podem e têm o direito de não concordar com o que bem quiserem, mas duvido que andem de mãos dadas com esse radicalismo arcaico e nocivo, porque aí sim, estariam indo de contra ao que pregam, o amor e respeito ao próximo.

    Pouco importa se Marco Feliciano os representa ou não, o debate atual gira em torno do falso moralismo. Como aceitar a “teoria da perseguição religiosa” se parte destes a praticam com o que acham “errado”? E quem são eles para dizer o que é certo e errado? Oremos 3! Vale ainda aquela máxima: “Você pode pensar o que quiser de mim, no fim das contas o que importa mesmo é o que eu penso sobre você”.

    É fácil tecer asneiras quando se pode esconder por atrás de preceitos e dizeres. De atitudes idiotas estamos fartos!

  • Groisman, Casé, Angélica, Fátima, Jô, Ana Maria, Xuxa, Huck e Fernanda

    Groisman, Casé, Angélica, Fátima Bernardes, Jô Soares, Ana Maria, Xuxa, Huck e Fernanda Lima

    A Globo promoveu na última quarta-feira, 27, no Credicard Hall, em São Paulo, uma festança para mostrar ao mercado publicitário e à imprensa as novidades (nem tão novas assim) de sua programação 2013.

    O clima de Déjà-vu criticado por alguns tem sentido até certo ponto. A emissora, com exceção das contratações de Marcelo Adnet, Ronaldo Nazário e Rubens Barrichello – estes dois últimos como comentaristas de futebol e F1, respectivamente -, não trouxe nada de tão novo assim. Tramas das seis, sete, nove e onze, pacote de filmes e renovação de temporadas de programas já existentes marcam o cardápio. Em suma, é a conservação do que deu e vem dando certo.

    A novidade, mas novidade mesmo, fica por conta da bela sacada de exibir pela primeira vez ao público a “festa da firma”. Ideia de Sérgio Valente, recém-chegado e todo-poderoso da CGCOM (Central Globo de Comunicação). O “Vem.Aí” levado ao ar na noite da última quinta-feira, 28, um tanto quanto compacto – alguns momentos acabaram suprimidos -, serviu para apresentar as novidades deste ano ao público. Apesar do ar gélido, a Globo deixou escancarado algo já sabido por todos: a emissora é a única que sabe vender seu peixe. E para isso, tem que ter peixe.

    Um dia antes, na terça, ao lado da sede da Globo, também em São Paulo, a Record fez a sua festa. Anunciou algumas novidades, como o “Got Talent Brasil” e a festejada série “The Bible”, e requentou o seu arroz com feijão a exemplo da líder: “Dona Xepa”, “Pecado Mortal”, “A Fazenda”, “O Aprendiz”, filmes e recauchutagem no que já existe. O clima de provocação reinou. O vice-presidente comercial da casa, Sr. Walter Zagari (aquele que disse em 2005 que a Record seria líder até 2010), fustigou um novo prazo: “Dividir a liderança dentro de três a cinco anos”. Vamos cobrar!

    Ainda na terça, pela tarde, a Band colocou no prato o seu angu. Um dia antes, foi a vez da TV Cultura de passar a bandejinha. O SBT (difícil achar alguém que queira compartilhar assim) serve silêncio a quem tiver interesse. Nada anunciado. Nenhum vestígio de novidade. Vem aí (com trocadilho) “Chiquititas” e a volta de alguns “velhos conhecidos”, como “Astros” e o “Passa ou Repassa”, agora como quadro do “Domingo Legal”. E só.

    Arroz com feijão todo mundo sabe fazer. A diferença é o tempero e a apresentação do prato, por mais simples que seja. Novamente, o cardápio global parece ser o menos indigesto. Na TV, assim como na gastronomia, a aparência vale ponto.

  • Ana Paula Padrão deixa a Rede Record

    Ana Paula Padrão deixa a Rede Record

    O ano era 2005. O SBT anunciava com toda pompa e circunstância chamadas ultra-provocativas que diziam: “Globo perde Padrão! Por que Padrão saiu da Globo?”. O ano é 2013. E Ana Paula Padrão anuncia sua saída da Record.

    Estrela-mor do jornalismo do canal da Barra Funda, Ana Paula está num seleto grupo de jornalistas – ao qual se incluem Fátima Bernardes, Renata Vasconcellos, Sandra Annenberg, Marília Gabriela e Glória Maria -, que exorbitaram da função a qual desempenham para a de grife. Mulheres de prestígio. Personalidade. Carisma. Nunca fomos tão bem servidos.

    Quatro anos de SBT, onde lançou o “SBT Brasil” e o extinto “SBT Realidade”. Quatro anos de Record, onde apresentou com maestria o “Jornal da Record” e abrilhantou grandes coberturas. Oito anos longe de sua “casa”, a Globo.

    Quais motivos levaram Padrão a não renovar com a Rede Record? Reajuste salarial? Disposição para novos projetos extra-TV? Novas prioridades? Cansaço de ancorar um telejornal diário? Convites da concorrência?

    Uma coisa é certa, uma grife não fica muito tempo na vitrine. Padrão, então. Aguardemos as cenas das próximas escaladas.

  • SBT convida público a compartilhá-lo...

    SBT convida público a compartilhá-lo…

    A semana andou agitada com a quase-campanha que o SBT planejava contra o Ibope. Como quem não quer nada, querendo tudo, o canal produziu uma chamada na qual convidava seus telespectadores a caçar o “aparelho da TV” em troca de um bom prêmio em dinheiro. Deu-se na madrugada do último domingo (10), por volta de 2h30.

    Instado a comentar o caso, o Ibope emitiu uma nota na qual ameaçara tirar o peoplemeter (o bendito aparelho) das casas que viessem a ser descobertas pelo SBT – há um contrato de confidenciabilidade em jogo. Instaurado o caos, com a possibilidade de sua audiência deixar de ser aferida, a rede deu meia-volta e tratou de se desculpar, negando qualquer revanchismo.

    Muito mais do que um plano sem pé nem cabeça, a postura adolescente do SBT chama a atenção para um viés que de inédito não tem nada. Alvo constante de denúncias e desconfianças, o Ibope e seu presidente, Carlos Augusto Montenegro, já foram alvejados diversas vezes pela Record, José Luiz Datena, da Band, e o próprio SBT, que no início dos anos 2000 lançou o genérico Datanexus, fechado seis meses depois devido a escassez de clientes.

    A grande discussão é muito mais profunda do que se pode supor. A quem estaria privilegiando o Ibope? A Rede Globo, em franca decadência de audiência desde 2004? A Record, com sua robusta capacidade de meter os pés pelas mãos e afugentar sua plateia? Não faz sentido. Se vivo estivesse, Drummond diria: Acorda, José! A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, e de canal trocou.

    O problema do SBT não é o Ibope, e sim a sua falta de perspectiva. O que quer o SBT? Apenas a retomada de sua histórica vice-liderança? Firmar-se como uma boa opção à grade sisuda da Globo? Antes de se chegar a essas respostas, é de suma necessidade que se analise o atual panorama do canal.

    Com exceção de “Chiquititas” (mais um remake!), que substitui “Carrossel” em junho, e uma ou outra estreia, como o reality “Menino de Ouro” (bem aceito pelo mercado publicitário, diga-se), qual o cardápio deste ano? Reforma de cenários? A disposição de jornalistas de pé, em vez de sentados? Reprises de novelas e séries ad nauseam? “Criação” de formatos esdrúxulos como “A Maior Invenção de Todos os Tempos”? A volta dos que não foram, com Bozo e companhia bela? O público não é bobo…

    É passada a hora de deixar a adolescência de lado e entrar na fase adulta. Investimentos atrai olhares. Mais trabalho e menos reclamação. Mais determinação e menos ideias mirabolantes. Mais coesão e foco e menos pitis no Twitter. Acorda, José!

CATUS