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Matheus Morais

  • Gugu Liberato

    Gugu Liberato

    Televisão (assim como tudo na vida) tem e deve ser feita com amor. Amor, tesão, vontade,  desafio,  essas palavrinhas deveriam permear  e martelar a cabeça de quem faz TV, de quem quer se superar, de quem vive…  Então, quando não se acredita, não se bota fé e não se faz com verdade, a coisa não flui, Gugu. Mesmo que o salário em questão seja de mais de R$ 3 milhões. Esqueça!

    Aí, não adianta colocar anão, desafio musical, beijo fake com Adriane Galisteu, plantar polêmica ou trazer gente sofrida de volta pra casa. Quando a gente não se sente em casa, seja lá por que motivo for, quando não se acorda com vontade de encontrar, de fazer, de compartilhar alegrias, a coisa pifa, Gugu!

    Pode trocar a geladeira velha por uma novinha em folha, remendar os buracos do sofá, tomar um banho de loja (e de folha também), sair do quartinho dos fundos, viver numa mansão, sem tesão não rola, Gugu! A Record nunca foi a sua cara, a Record nunca foi sua casa, você nunca se sentiu em casa na Record. Não é verdade?

    Ah, você pisou na bola, você vive pisando na bola, tá um saco, um arremedo de gente! A voz sempre embargada, parece um boneco de cera, quase não se move, quase não sente, quase não vive, poderia ficar calado, caladinho, Guguzinho! Quase, quase, quase, você virou um quase.

    E também não adiantou ficar com os bispos, quando sua cabeça nunca saiu da televisão do patrão, você se perdeu no fundo do baú e parece ter ficado por lá, esquecido.  No fundo, bem no fundinho do baú! Talvez o problema não seja o baú, mas essa é outra história, outra conversa, outros quinhentos…

    Sem verdade

    Tá faltando é vontade, sabe? Tá faltando é ser gente, gostar de gente, gostar de falar pra gente, de verdade… Tá faltando um bocado de coisa, um bocado de sentimento aí, tá tudo errado, Gugu!

    E se assim você continuar, se assim você for e continuar sendo, não vai rolar. Telespectador não se satisfaz com pouco, foi-se o tempo, telespectador não se satisfaz mais com pintinho amarelinho ou banheira, a gente deixou de ser besta. A gente quer mais… Vai dar mais?

    Sem carisma não dá, sem brio não dá, com amarras também não dá! Seja na Cultura, na Band, na Gazeta, na Record News, na Globo (sonha Gugu) ou no SBT (cai na realidade, Gugu!), sem verdade, não dá!

    Cai pra cima, bota alegria, bota a cara na tela com alegria, bota verdade na parada, volte a sorrir e a brincar, volte a ser você, Gugu! Ninguém vive mais de 30 anos na TV se não tiver púbico, ninguém constrói uma carreira de sucesso mentindo, ninguém fica rico assim…

    Quem sabe não é bom dar um tempo? Pra espairecer,  pra sentir saudade, pra melhorar, pra esquecer… Deixa a gente sentir sua falta, deixa a gente descobrir que você voltou a ser Gugu!

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    Matheus Morais é jornalista, contador de histórias e operário da comunicação desde sempre. Baianíssimo, é obsessivo pela simplicidade, no jornalismo e na vida.

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  • 28/05/2013 às 17:36h

    Viva, volte Netinho!

    OPINIÃO
    O cantor Netinho

    O cantor Netinho

    Nunca fui dos maiores fãs de Netinho (acho que nunca serei), mas há horas na vida que é preciso separar alguns sentimentos. Separar pra poder ser mais lúcido e menos ranzinza, menos chato e menos crítico. Porque a vida tem nos mostrado que é só uma passagem, um caminho curto, um sopro, um nada… Porque Netinho tem nos mostrado que é preciso lutar pra viver, com derrapadas (e quem não escorrega aqui e ali?), porque para morrer basta estar vivo, atravessar a rua, dobrar a esquina…

    Porque (e são tantos por quês), nenhum ser humano merece sofrer, definhar numa cama de hospital, amputar um membro, atrofiar num leito de UTI, porque a gente é gente e gente foi feito pra ser feliz, pra namorar, pra ser livre, pra ser gente. Mas, ser gente custa, ser gente é ter que escolher, é perder aqui, ganhar acolá, é errar, errar tantas e tantas vezes, não é, Netinho?

    Ser gente é também acertar, construir uma carreira de sucesso, ser um cantor de sucesso, um fazedor de hits (como se diz por aí)… É estourar nos anos 90 e ser considerado o maior nome do Carnaval baiano, um ícone, marcar uma época…

    Curtir Milla, desabar nos barrancos, emplacar um bocado de músicas nas trilhas sonoras das novelas da Globo, sumir, aparecer, sumir de novo, ganhar o nordeste, o Brasil, representar a Bahia, tudo isso é ser gente, né Netinho?

    É cair, levantar, tropeçar, errar de novo e tentar acertar sempre. Bomba, anabolizante, drogas, o quê importa? Existem momentos que as razões simplesmente não importam, desaparecem, se embrenham no sofrimento e na dor. Não importa mais, não faz mais sentido!

    E mesmo sem ser fã, sem concordar com algumas atitudes, mesmo sem conhecer de perto, sem nunca ter batido um papo, a gente se pega torcendo, pedindo, querendo vida… Querendo que você viva, Netinho. Força!

  • 11/03/2013 às 21:16h

    Flor da decepção

    OPINIÃO

    Confesso que até estava ansioso para a estreia de “Flor do Caribe”, nova novela das 18h da Globo, que começou nesta segunda (11), mas recebi um balde de água fria no meio da cabeça. Adoro novelas solares, ambientadas em praias paradisíacas, com gente alegre, uma vila de pescadores, um amor tropical, tal e coisa e coisa e tal… Porém, a tal da flor murchou logo de cara, entornou o caldo, não fez fotossíntese e morreu no primeiro capítulo. Deu pra mim, não!

    Começando pelo trio de protagonistas, três erros grotescos, três atores desconectados, três péssimas escalações.  Grazi Massafera é dona de um carisma absurdo e de uma beleza estonteante, mas não convence como a protagonista Ester. Não se esforçou para adquirir o sotaque nordestino, já que a novela é ambientada no Rio Grande do Norte e não esboçou melhoras em seus recursos dramáticos.

    Henri Castelli é o mesmo de sempre, faz o papel dele mesmo e parece não querer mudar, uma pena, vai morrer galã!  Também não tem sotaque nordestino e nem cara de morador de uma vila de pescadores, totalmente fora do contexto. E Igor Rickli (quem é você na fila do pão, meu filho?), apresentou todas as ferramentas e características para ser o novo Ricardo Macchi da televisão brasileira. Segura que o novo cigano Igor tá chegando, Brasil!

    Bom, de resto, o que se salva em Flor do Caribe é a belíssima fotografia, as boas atuações dos veteranos Sérgio Mamberti e Juca de Oliveira e a trilha sonora, que traz canções de Alceu Valença, Elba Ramalho e Maria Gadú.

    Derrapando na audiência

    A história promete ser leve e bem chatinha (já que os protagonistas não ajudam) e outros personagens também não, como  o Candinho, vivido por José Loreto, que se despiu do papel de Darkson, de “Avenida Brasil”, para entrar numa de Tonho da Lua dos anos 2000.

    O quesito audiência também decepcionou. A trama estreou com 18 pontos de média e 20 de pico, na prévia do Ibope da Grande São Paulo. Nem o único intervalo comercial exibido no primeiro capítulo segurou o telespectador.

    Pelo jeito, Walther Negrão vai ter que rebolar muito no ritmo ragatanga para prender o público com sua novela que tem cara de “Tropicaliente”, jeito de “Mulheres de Areia”, mas não é uma coisa nem outra, apenas mais uma decepção.

    Vou ali, tentar ver se acho mais alguma coisa de “Lado a Lado” e volto logo. Não me queiram mal que eu só sei querer bem. Um abraçaço!

  • 08/01/2013 às 19:08h

    Senta lá, “Programa da Tarde”!

    OPINIÃO

    Ana Hickmann, Ticiane Pinheiro e Britto Jr.

    E cá estava eu pensando e me perguntando com meus botões e copos vazios de cerveja, por que a Record não acaba de vez com esse ridículo “Programa da Tarde”? Mas, é ridículo na essência da palavra, começando pelos quadros sempre batidos, dando uma passadinha pelas reportagens sem conteúdo e terminando nos convidados e apresentadores chatos, sem carisma e sem graça. Era aí que eu queria chegar, nos apresentadores. Aninha Hickmann (desculpem a intimidade que não tenho com ela, plagiando o querido Odair Del Pozzo), Britto Jr. (me recuso a escrever Júnior por extenso, sendo que já escrevi) e Ticiane Pinheiro Justus (esse deve ser o nome completo dela, se não for, dane-se). Um trio sem química, com física e físico e muita matemática negativa no ibope.

    Pra completar o quarteto fantástico (que também poderia chamar-se quarteto fracasso) na direção geral do programete, Vildomar Batista, aquele mesmo, primeiro e único. Imagino Vildomar enlouquecido, gritando no ponto eletrônico: “Estamos tomando pau da Usurpadora, estamos apanhando da Gotinha de Amor”. Eis que surge Britto Jr., apoiado na bancada, doido para arrancar seus últimos fios de cabelo e Aninha despencando dos seus quase dois metros de altura, no chão.  É piada pronta, não liga na Record, de tarde, santa, é cilada!

    Mas, pior que a pseudo-intimidade de Britto com o telespectador e a naturalidade inexistente em Aninha, é a inexpressividade de Ticiane Pinheiro, a senhora Roberto Justus, muitíssimo bem patrocinada por sinal. Ela é ruim, ruim demais apresentando. Não tem carisma, não sabe ler teleprompter direito, não se solta frente às câmeras e não passa credibilidade.  Sim, e por que está ali, efetiva como apresentadora da atração? Deve se perguntar o nobre leitor…  Tudo é uma questão de patrocínio, né Tici? A empresa que vende tintura de cabelo que o diga.

    Conselho

    Então, já que estamos no começo do ano e a gente sempre deseja coisas boas para o período, que tal mandarem o “Programa da Tarde” para o espaço? É um investimento alto e completamente desnecessário, já que a atração costuma sempre ficar em terceiro lugar na audiência, patinando com seus 3 ou 4 pontos.  Nem a cor nova do cabelo de Tici salva, nem a Fogueira Santa de Israel, dos Bispos, tira o programa do inferno astral televisivo. Tem cabeça de bode preto enterrada nos estúdios da Barra Funda, vá de retro!

    E outra, não adianta contratarem Narcisa Tamborindeguy e cia ilimitada, não vai resolver o problema. Melhor mandar Britto de volta pra Fazenda (que já é chata por si só), Aninha pras passarelas e Tici pra casa. Antes enchendo o saco de Roberto Justus do que o nosso, né? Vildomar podia tirar férias e ficar um bom tempo fora também. Ah, colocariam o Pica-Pau no horário, ia bombar, com certeza! Fora isso, é fora “Programa da Tarde”.

    Não me queiram mal, eu só sei querer bem! Um abraçaço!

  • 29/11/2012 às 22:46h

    Nome: Adriane Galisteu. Codinome: Carisma

    BELDADE

    A sempre bela e talentosa Adriane Galisteu

    Desde quando vi ou ouvi falar em Adriane Galisteu pela primeira vez gostei da figura. Não vou saber precisar quando foi, em que situação ela estava ou o que fazia, o certo é que eu gostei da moça loira, sorriso aberto e uma intimidade brutal com as câmeras (aliás, impressionante como a Galisteu fotografa bem até hoje, né?). Mas, a graça de Adriane não fica só na beleza estonteante, no belo corpo (quem não se lembra da playboy estrelada pela loira em 1995?), o talento da menina vai além, vai longe, porém, está ali, justamente quando a beldade abre a boca.

    Porque Galisteu não fala bobagem como Luciana Gimenez, não é artificial como Ana Hickmann e não tenta ser mais do que pode, como Ticiane Pinheiro. Ela sabe o seu tamanho e até onde vai sua capacidade com o microfone em mãos. O maior teste pra qualquer apresentador é fazer um programa ao vivo, com roteiro, mas lidando com a improvisação e presença do público, Ana Hickmann não sabe fazer ao vivo, é “dura”, presa, sem graça, já Galisteu segura a onda direitinho, não deixa a peteca cair.

    Bem articulada, Adriane apresenta leveza no vídeo, fala corretamente, não escorrega e sabe perguntar. Sabe conversar com o público e animar plateia, anda no estúdio como se estivesse numa passarela, é forte e passa essa imagem. A loira é rodada (sem interpretações maldosas, por favor), já apresentou o “Superpop”, trabalhou na MTV, na Record, no SBT e agora figura entre os contratados da Rede Bandeirantes. Talvez não seja uma grande “puxadora” de audiência como Eliana é, mas traz retorno comercial, tem credibilidade e sabe apresentar. Além de apresentar também atua, faz teatro, já fez novela e pode sim ser chamada de atriz.

    Batendo de frente

    Atrevida, bateu de frente com Silvio Santos quando ele não deixava seu programa num horário fixo na grade do SBT, até jogar a atração para a madrugada o “homem do baú” não sossegou. A loira não deixou barato: vestiu um pijama e foi lá apresentar o programa, ao vivo (como foi acostumada a fazer), não demorou, ganhou de presente a ira de SS. Foi pra Band, não alavancou a audiência do canal dos Saad, mas continua por lá.

    Deram o “Muito +” pra Galisteu, um programa de fofoca, pautado nas celebridades, ela teria que deixar de ser alvo para ser atirador (logo ela que é figurinha carimbada entre os fofoqueiros de plantão) nas tardes da Band, horário complicado, o programa não decolou, saiu do ar, Adriane renovou contrato com a emissora. Audiência pífia, custos altos, a sina dos números persegue a loira!

    Mas, o que falta pra ela deslanchar na audiência? Talvez um programa bem feito, de variedades, com plateia, ao vivo, em horário nobre. Boas pautas, boas atrações e menos sensacionalismo, menos fofoca, mais entretenimento. Adriane cumpre seu papel sem tirar nem por.

    Contudo, a coloco como uma apresentadora pronta. Falta um pouquinho mais de estudo, vontade de aprender e estudar sobre outras coisas, outros assuntos, precisa saber se aprofundar em temas mais complexos, ganhar cancha. O resto ela tem: é boa profissional, tem carisma e pode trabalhar onde quiser, incluam a Globo nessa lista (ela já foi até convidada pra fazer novela no “plimplim”). Pode ter talk show, programa de auditório, apresentar reality show ou ficar muda fazendo figuração.

    Aguardo pedras, espero flores, até breve, fé! Parodiando Caetano, um abraçaço!

  • 12/10/2012 às 15:02h

    Laura Cardoso, a dona de “Gabriela”

    OPINIÃO

    Laura Cardoso como Dorotéia

    Acompanhando as primeiras chamadas de “Gabriela”, novela das 11 da Globo (e minha preferida. Ninguém perguntou, mas eu digo) pensei que a veterana atriz Laura Cardoso fosse fazer uma pequena participação, uma ponta, um papel secundário qualquer, sem importância, muito aquém de sua grandeza e versatilidade, imaginei mesmo que fossem escantear dona Laura na trama. Entristeci. Ainda assim comecei a assistir ao novelão de Walcyr Carrasco baseado na obra do baianíssimo e centenário Jorge Amado, um remake, é bem verdade, mas um novelaço sem tirar nem por. Era Laura Cardoso mais uma vez na telinha!

    Nacib, Gabriela, Ramiro Bastos, Tonico, Vesúvio, Bataclã, Maria Machadão (vivida charmosamente pela talentosíssima Ivete Sangalo) povoavam a televisão de minha sala, enchiam a casa de baianidade, traziam o pulsar da Ilhéus daqueles tempos pra mim, me enchiam de alegria ao tempo que conquistavam minha audiência, já era telespectador cativo ainda nas primeiras cenas, estava entregue. Mas faltava aparecer Laura Cardoso, cadê Laura? E a tal ponta que eu imaginei? Nada delas…

    Eis que não chovia em Ilhéus, apareceram as beatas, senhoras de respeito da cidade, surgiu Laura, a velha Dorotéia, ranzinza, cabelos grisalhos, pilar moral do lugar, sustentada por uma bengala, duas, três falas, ela já não era mais figurante, roubava a cena, engoliu os colegas. Me convenci que “Gabriela” era de Laura Cardoso, no auge de sua forma, aos 85 anos.

    A dobradinha de dona Dorotéia com coronel Ramiro Bastos (Antônio Fagundes) é dessas cenas pra colocar pra gravar e rever mil vezes (com o perdão da hipérbole), admirar o olho no olho, os recursos dramáticos e a emoção, veracidade na tela, qualidade garantida.

    Laura rouba a cena

    Daí pra frente foi só sentar e acompanhar as aulas diárias de interpretação de dona Laura, o sotaque quase que perfeito, as murrinhas da velhice, tiques, cacoetes, a severidade de uma matriarca que esconde seus pecados atrás de um catolicismo fanático, que preza e zela pela moral e bons costumes de Ilhéus fazendo fofoca, fiscalizando a vida alheia. Compondo o trio com a insuportável Dorotéia, as não menos pecadoras irmãs Dos Reis, interpretadas pelas craques Bete Mendes e Angela Rebello. Eu quero mais o quê?

    Quero dizer que a personagem composta por Laura Cardoso é uma vilã desmedida, fofoqueira, falsa, verosímil até o último fio dos cabelos brancos da atriz (que pode ser peruca ou não). Dorotéia é a chave e a causadora das intrigas entre pais e filhos, casais, famílias, uma megera daquelas. Em tempos de enaltecer o talento e competência de Adriana Esteves e sua inoxidável Carminha, por que não encher os olhos com o belíssimo trabalho da diva Laura Cardoso?

    E assistindo “Gabriela” chego à conclusão que a personagem não poderia ter caído no colo e nas mãos de outra atriz. Enquanto a protagonista vivida por Juliana Paes luta pra convencer os telespectadores e os críticos, dona Dorotéia convence, agrada e desperta os piores sentimentos da audiência.

    Talento não tem idade e dona Laura vem nos mostrando isso a cada trabalho, seja como: a sogra rabugenta em “Caminho das Índias”, a mãe Coragem dos “Irmãos Coragem”, a avó matuta de “Chocolate com Pimenta” ou em tantas outras que habitam nossa imaginação.

    A personagem em “Gabriela” chegou para coroar uma carreira brilhante de mais de 60 anos no teatro, cinema e televisão. Viva e salve Laurinda de Jesus Cardoso Baleroni ou simplesmente Laura, ave Laura Cardoso, a dona de “Gabriela”, mito da arte brasileira, vida longa dona Laura.

  • 18/09/2012 às 16:24h

    Val Marchiori: um desserviço à TV brasileira

    HELLOOOOOOO!

    Val Marchiori

    Desde que emergiu nacionalmente no reality show “Mulheres Ricas”, da Rede Bandeirantes, a empresária-socialite-perua e mega fútil Val Marchiori não caiu na minha rede nada católica de simpatia. Muito pelos trejeitos forçados, pela voz irritante e pela falta de inteligência gritante e latente da loira pré-fabricada, vomitada para frente das câmaras sem a licença prévia do nobre telespectador. Valdirene (nome popular do qual deveria se orgulhar) em tudo soa falsa: do tal “Hello”, bordão batido e inexpressivo, aos gritos e pedidos histéricos de atenção. Valdirene não quis ser Valdirene, escolheu ser Val.

    Não vou entrar nos pormenores de vida amorosa, separação, viagens de luxo, filhos gêmeos, fortuna, amantes, frangos e afins. Meu assunto é a Val que se apresenta na TV, aquela que cada vez que aparece na telinha contribui para formar um telespectador mais bitolado. Ter Machiori desempenhando a função de repórter, apresentadora, vedete, jurada, samambaia, papel de parede ou algo que o valha é dar um tiro no pé.  Cadê o carisma, a agilidade, a leveza a desenvoltura e a inteligência necessárias para cativar o público? Onde estão esses predicados em Val? Ela é um engano.

    Quanto tempo ela dura?

    Engano e desserviço prestados pela Rede Record ao contratar a moça (há controvérsias que realmente seja) para integrar o elenco do seu sofrível “Programa da Tarde”. Dizem uns que ela vai mostrar o “mundo do luxo e do glamour” no vespertino, mas, tanto faz! Mostre o que mostrar, faça o que fizer, fale o que falar, Val vai cair por terra… Porque falta de talento, antipatia e contas milionárias embaladas a vácuo não compram admiração, perenidade e sucesso na telinha.

    Falta à Valdirene ser ela mesma, na TV ou fora dela, encarar a vida com mais propriedade, sabe? Propriedade de encarar as coisas como elas realmente são… Dinheiro também pode formar aberrações mal aproveitadas pela mídia e torná-las conhecidas. Mas, por quanto tempo? Será Marchiori eterna como Hebe Camargo? Será Val tão talentosa quanto Silvio Santos?

    E como perguntar não ofende, nossa loira aguada é formada em que mesmo? Se formou em que faculdade, tem diploma emitido por qual instituição de ensino? Ah, Valzinha, não tire o emprego de gente mais competente e preparada que você, minha flor! Qualquer uma consegue emitir 10 ruídos sonoros de “Helloooooooo” sem o mínimo de conteúdo. Uma qualquer pode forçar aquela risada simpática e sair desfilando com um microfone por aí.

    Marchiori deve desaparecer com a mesma velocidade que os ex-BBBs sem talento. Que volte pra sua fortuna, empresas, mansões, fazendas, aviões, maquiadores particulares e o escambau. Que faça filantropia com o dinheiro que conquistou, que faça e não divulgue, que seja alguém melhor. O tempo de Val na TV só depende de você. Enquanto ela estiver no ar, eu não sintonizo, não ouço, não vejo, não perco mais meu tempo com esta senhora. Não tá fácil pra ninguém! Hellooooooooo!

  • Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella)

    É óbvio e quase unânime que “Avenida Brasil” é um sucesso de público, crítica, renda e o escambau a quatro, todos os méritos para o autor do novelão das nove global, João Emanuel Carneiro, direção e elenco afiadíssimos, sucesso na casa da madame e no barraco da empreguete, trama de tirar o fôlego, punto e basta!

    O que eu quero tratar aqui no meu texto de estreia no RD1 é a perigosa linha tênue pela qual Carneiro transita e o atual momento da novela. A turma de Nina, Carminha, Mãe Lucinda, Tufão e cia ilimitada empurram a trama com segredos que já deveriam ter sido revelados e mais, a protagonista já não encanta e convence com seu desejo de vingança que se arrasta enfadonhamente…

    Nina agora se perde em diálogos e tenta explicar o inexplicável: por que não entrega logo as tais fotos de Carminha e Max à Tufão e vai ser feliz com o problemático, chatíssimo e intragável Jorginho na Califórnia ou no raio que os parta?

    E por falar em Jorginho, por que motivo a criatura não conta logo ao pai que ama Nina/Rita/Maria Antonieta e acaba com esse amor irreal do ex-jogador pela cozinheira? O fato é que “Avenida Brasil” vive aquele momento pé no saco enfrentado por alguns folhetins: o momento barriga de tartaruga, que se arrasta lentamente pra lugar algum, sempre esperando seu fim.

    E agora, João?

    O telespectador de “Avenida” merece mais, mas é novela e em novela tudo pode, ou quase tudo pode, né seu João Emanuel? Não pode é tentar enganar o público com historinhas inverossímeis e arrastadas. O novelão das nove pede mais ação, resoluções rápidas e novas situações, o telespectador implora por mais atratividade, seu João, será que é pedir muito?

    Creio que o simples hábito de sentar em frente à televisão, às 21h, tem se tornado um fardo pesado demais pra se carregar numa atividade de puro entretenimento. É algo do tipo: “Nina ainda leva adiante uma vingança desmedida para satisfazer a quem?”, pergunta-se a senhorinha que intercala pontos de crochê com os capítulos da novela.

    A gente (escrevo na condição de jornalista e espectador) só pede que não mude nada na diva Carmen Lúcia, no impagável Leleco e no inteligentíssimo Adauto, porque pra ser burro como ele só sendo muitíssimo letrado… E enfim, vale lembrar, o senhor acertou a mão com Cadinho e suas três mulheres, hein? Inventou uma falência providencial para o garanhão enjoado de Alexandre Borges e salvou-nos de aturar aquele rodízio idiota de besteirol num núcleo que até então era muito mal aproveitado.

    Ressalvas

    Nota dez (parodiando a loiríssima Patrícia Kogut) para a entrada da talentosa Betty Faria no papel da mãe de Alexia (Carolina Ferraz). As tiradas cômicas e cheias de ironia da personagem deram vida a cenas que beiravam a chatice extrema. Cadinho, Paloma, Alexia e Pilar vivem hoje um dos melhores momentos da novela, muito graças ao talento imensurável de Betty, volto a repetir.

    Entre erros e acertos (comuns em uma telenovela), o saldo de “Avenida Brasil” é excelente. A trama mais que convence, gruda, mas se arrasta, pede pra acabar urgentemente e viver só no imaginário do telespectador, que venha “Salve Jorge”, que venha Glória Perez! Ou como bem dizia o sábio capitão Nascimento com todo o respeito do mundo: Pede pra sair, “Avenida Brasil”!

CATUS