“Salve Jorge”: quando a obra de ficção flerta com a comédia pastelão
SALVEM-SE
Juro por tudo que é mais sagrado neste mundo que eu tento, mas não está dando! Não consigo, meses depois, entender qual o real propósito da novela “Salve Jorge”. Tem horas que a novela mira no drama comovente, mas acerta na comédia pastelão. Vide a sequência sensacionalmente sem nexo e cheia de graça e carente de realismo de Raquel (Ana Beatriz Nogueira) no capítulo de ontem. Vamos as questões e observações:
Todo mundo é alfabetizado em português na Turquia, isso?
Você é uma super “chefona” de um esquema de tráfico internacional de mulheres e bebês e seringas letais, e sai por aí, fazendo reunião em garagem de hotel pra falar dos seus esquemas criminosos, isso?
Você descobre um esquema de tráfico e encomenda de assassinato e, em vez de sair correndo rumo a delegacia mais próxima, vai bater um papo com o povo perigoso do esquema, isso?
Por que a Lívia abriu a bolsa na garagem se, mais a frente no capítulo, ela ainda vai pegar o estojo prateado onde está a seringa letal?
Quem, em sã consciência, vai ficar no mesmo elevador com alguém que você acaba de descobrir que é uma pessoa perigosíssima?
Como deu tempo da Lívia subir pro quarto, falar com o Russo, pegar umas roupas, arrumar uma mala e, ainda assim, pegar o mesmo elevador que a Raquel que estava tentando fazer uma simples ligação no saguão do hotel?
PAUSA: Número do celular do Russo, pra você que curte um ursão, poder mandar um SMS pra aquele homem sexy
Como tem sinal de wi-fi em caverna e de celular em elevador tão bom assim na Turquia?
Como você usa uma seringa para matar alguém e desafia até o C.S.I tentando eliminar vestígios de digitais limpando o instrumento do assassinato na manga morcego do vestido, deixando a prova no local do crime?
Por que colocaram a Lívia Marine fazendo cosplay de abertura da novela “Fina Estampa” no elevador?
A Lívia sair do hotel sem encerrar sua conta de hospedagem não a torna a maior suspeita do crime? Não seria melhor ter ficado, pra passar uma impressão, embora falsa, de não ter nada a temer, que não está devendo nada, hein?
Salve Jorge é um obra de ficção. Qualquer semelhança com o Zorra Total é mera coincidência com o nível do roteiro e atuações utilizadas por ambas as trações da emissora. O que nos resta é fazer piada e achar graça de uma novela onde não se acha muita coerência no que está sendo colocado no ar.
